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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Linhas de expressão

Sentadas uma ao lado da outra, jogando conversa fora e, por vez ou outra, soltando uma bela gargalhada. Pra quem vê, nem parece que estão em um jogo de futebol. A explicação pode partir de que a novidade ficou pra trás; elas já viram muito mais que dois ou três, mas rejuvenescem sua torcida a cada vez que o time entra em campo, fazendo daquela partida, o evento mais importante do final de semana. Com astral inconfundível, são torcedoras de verdade. Está escrito em suas linhas de expressão.

Na tarde de domingo, tudo estava diferente. Tudo mais próximo. Pelo frio e pela chuva, o torcedor foi compactado no pavilhão social do estádio. Como de praxe, a banda fez a festa do outro lado, sacudiu a poeira e embalou as ações ofensivas do time. O adepto mais contido se manifestava com discrição. Nas cabines, os jornalistas atentos em transmitir a emoção das quatro linhas para quem está em casa, ou na companhia do bom e velho radinho. Mas quem estava verdadeiramente em casa, eram elas: as senhoras do Leão, que promoviam ali no centro o que eu ouso chamar de “Chá do São Paulo” pela cadência de seus olhares.

Contra o ditado do “Quem não é visto, não é lembrado”, é impossível subir os degraus da arquibancada e não reparar no jeito pacato com que vibram a cada lance. Foi assim desde o início, quando Dudu Mandai resolveu testar seus corações frágeis com um chute forte em direção ao ângulo da goleira adversária. Não foi desta vez. Comentários depois, ele errou de novo, mas o Capitão apareceu e fez a felicidade do povo inteiro, marcando talvez só mais um dos tantos gols que elas já assistiram, mas é notável que hoje tudo está melhor no ambiente da Linha do Parque.

Já os enfeites, são ignorados, elas também apreciam o jogo objetivo e cultivam as características do interior. Falo do “Charmoso Gauchão” bem jogado, apesar de estarmos falando de uma partida válida pela já tradicional Copinha. Detalhe mal lembrado quando a bola cai no pé do nosso camisa 10. Athos encontra fácil o centro avante Jean Carlos, e assim nasce o segundo gol, brigado na pequena área pelo próprio Mandai, que completou de cabeça e ficou no chão. Sem demora, levantou e ergueu os dois braços ao melhor estilo “heróis do passado” - uma nostalgia diante à carência de ícones que vivenciamos atualmente. Por um momento, o goleador é o xodó das senhorinhas. Logo ele que já caçou até animais dentro de campo e elas viram tudo isso. Sobrou espaço até para rir bastante do massagista e seu Jiu-Jitsu mal apurado para tratar do atacante fora do gramado.

Em uma subida ou outra, o adversário é desconcentrado aos gritos de “perna de pau” e zoações deste tipo, assim como o juiz principal, sua mãe e os alguns quilos de gel fixador nos cabelos do quarto árbitro. As defesas do goleiro, as opções de mudança do treinador... Nada escapava do olho clínico e já experiente daquelas senhoras. Um café no intervalo, a volta para o segundo tempo e até mesmo as tentativas frustradas de ampliar o placar, não tiraram o sorriso do rosto daquelas pessoas. O dia estava cinza, mas o placar era bonito demais para desanimar. Apito final, vitória, liderança momentânea e ainda mais alegria.

Diante de tantas observações, a velhice nos apresenta, por um momento, a recusa de um olhar negativo, deixando a impressão da verdadeira juventude: aquela que é vivida pela sua essência, e não apenas pelos seus benefícios físicos e mentais. Junto à única certeza da vida, abro parênteses: sentiremos falta quando a roda de amigas não mais estiver por ali, representando com fidelidade exemplar as cores do Centenário Sport Club São Paulo. Não fecho parênteses.


Lucas dos Santos Martins
dg.lucasmartins@gmail.com


Obs.: Nenhuma ocasião melhor para salientar a presença de uma camisa do Juventude entre as cores rubro-verdes. A parceria entre torcidas organizadas é uma grande arma para a pacificação nos estádios. Contribua para isto!

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Deu Xavante! Brasil vence o São Paulo no maior clássico do Interior

A primeira vitória do Brasil de Pelotas na competição, foi marcada por diversas confusões e um jogo de muitas bolas paradas. A experiência da equipe Xavante foi crucial para segurar o Leão e sua sequência de 5 vitórias consecutivas.

Defesa Xavante garantiu a segurança da meta defendida por Eduardo Martini. (Foto: Daniel Correa)

Não foi uma noite das melhores para quem saiu de casa e tomou como destino a Linha do Parque. Na bela noite deste sábado, os presentes viram um jogo truncado no meio de campo e sem grandes destaques para os lados de São Paulo e Brasil de Pelotas. Porém, a sétima rodada do Gauchão foi diferente para o torcedor que acompanha as duas equipes desde o início da competição. O sinal de alerta que estava ligado para o lado do Leão, devido a grande sequência de vitórias, era o mesmo que atormentava o Rubro-Negro, com a de empates. E o patamar da partida se encaminhava para o fator decisivo: o detalhe.

As arquibancadas do Aldo Dapuzzo lotaram logo cedo, antes mesmo das equipes entrarem em campo para o aquecimento. Aos poucos, torcedores Xavantes também ocuparam quase totalmente o setor 10 da ferradura, que é destinado para a torcida visitante. Logo mais, a parte são paulina foi complementada com a chegada da Mancha Rubro Verde e sua bateria.

Com a bola rolando, o equilíbrio era evidente no meio de campo, mas era o Brasil quem tomava as ações ofensivas. Desde o começo da partida, o goleiro Deivity foi bastante exigido, mas correspondendo bem às tentativas Xavantes. O paredão rubro-verde salvou o São Paulo em pelo menos duas oportunidades claras. O Leão, por sua vez, chegava raramente e não assustava a meta defendida por Eduardo Martini. Mantendo o patamar durante toda a primeira etapa, o rubro-negro continuou assustando em mais dois lances de bate e rebate dentro da área. O perigo rondava o setor defensivo do Sampa. Assim terminou o primeiro tempo.

Leandro Leite (ao centro) foi o destaque do Brasil.
(Foto: Daniel Correa)
Após o intervalo, não foi diferente. O Brasil seguiu mais incisivo que o São Paulo, até que, aos 6 minutos, após nova confusão na área, Felipe Garcia pegou firme e abriu a contagem no Aldo Dapuzzo, para a festa dos torcedores Xavantes. Helio Vieira não titubeou e pôs Alex Goiano no lugar de Athos, que refletia a equipe, sem estar nos melhores dias. Entretanto, nada mudou. O rubro-negro seguia levando plena vantagem nas ações do meio campo. Leandro Leite foi um monstro! Aos 24, Nena teve a chance de marcar o segundo, mas Deivity, gigante, salvou com classe. Logo após, o centro avante Xavante foi substituído pelo experiente Gustavo Papa, que decidiu. Aos 38 minutos, Ramon fez bela jogada pela esquerda e cruzou, Papa desviou pras redes e ampliou o marcador. Brasil 2x0.


Gustavo Papa foi do céu ao inferno em menos de 10 minutos.
 (Foto: Daniel Correa)
Porém, quando tudo se encaminhava para a decisão, os Deuses do Futebol lembraram que não se tratava apenas de um clássico, mas do maior do clássico do forte Interior Gaúcho, e agiram. 5 minutos depois, Alex Goiano pegou sobra de cruzamento e bateu convicto para diminuir o marcador e explodir o Aldo Dapuzzo, que já esvaziava. A polêmica no lance se fez por um pedido de fair play partindo do Brasil, ao São Paulo. Eduardo Martini caiu sem sinais de contusão e já havia retardado o início da partida em diversos lances de bola parada. A cobrança do lateral foi feita em direção a área e o gol foi marcado. Logo após, Gustavo Papa passou por cima de toda sua experiência e agrediu um adversário: foi expulso. Instantes depois, foi a vez de Marcos Paraná se exaltar e ir pra rua.

Mesmo com dois jogadores a mais, o São Paulo não teve mais tempo para reagir e o Xavante, justamente, saiu vencedor.
Fim de jogo, Brasil 2, São Paulo 1.

Após o término da partida, um incidente envolvendo as duas equipes foi registrado no túnel de acesso aos vestiários. Segundo testemunhas, uma provocação partiu de um dos lados e o tempo fechou. A polícia militar fez uso do spray de pimenta para dispersar quem por ali estava, atingindo, inclusive, quem não participava da confusão. Entre os que sofreram com o efeito do produto, esteve uma gandula e o colega, autor da Interior Mais Forte, Ilgner Vahl.

Com sua primeira vitória, o Rubro-Negro entra na zona de classificação, chegando aos 8 pontos. Na próxima rodada, encara o Juventude no estádio Bento Freitas. A partida acontece no domingo, dia 6, às 16 horas. Já o Rubro-Verde, tem um forte desafio na zona norte do estado. O adversário é o Ypiranga de Erechim, do técnico Leocir Dall'astra. O jogo começa às 17 horas, também do próximo domingo, e o Leão chega para o confronto na quarta colocação do campeonato, com 15 pontos.


Lucas dos Santos Martins
Graduando em Jornalismo
Universidade Federal de Pelotas

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Coliseu rubro-verde: São Paulo emplaca a terceira vitória consecutiva


A Roma Antiga, um dos maiores impérios que já existiram na face da Terra. Dentre os muitos lideres que comandaram esse império, existem nomes famosos como Julio Cesar e Nero. Ambos eram lideres implacáveis, que faziam de tudo para demonstrar o poder que o Império Romano tinha sobre as demais civilizações.

O que a Roma Antiga, Nero e Julio Cesar tem a ver com o São Paulo? Nessa noite, tudo. Na batalha de gladiadores, no Coliseu da Linha do Parque, venceu o Leão. Até porque, naquela época, quem era jogado aos leões, dificilmente sobreviveria. Neste domingo, não foi diferente.

O público chegou cedo, para assistir ao espetáculo que estaria por vir. Torcedores esperançosos e embalados pela ultima vitória do São Paulo, fora de casa, contra o Lajeadense. Antes de entrar no estádio, conversei com alguns torcedores, muito empolgados com o jogo. Placares como 3 a 0, 3 a 1 e 2 a 0 foram várias vezes citados pelos rubro-verdes.

Quando começou a primeira etapa, aqueles placares, citados anteriormente, foram de possíveis a utópicos. O Novo Hamburgo tinha um bom time, até então invicto no campeonato e com uma defesa que ainda não tinha sofrido nenhum gol. Era o adversário ideal para o São Paulo testar a força do seu time. Era um verdadeiro duelo de gladiadores.

O jogo estava equilibrado, com boas chances para os dois lados. O Novo Hamburgo atacava o São Paulo com perigo e o Leão devolvia na mesma moeda. O Nóia apostava na estatura do seu time, principalmente no centroavante Kiros, que era uma torre perto dos zagueiros rubro-verdes. Já o São Paulo apostava na velocidade de Abu e nas cobranças de lateral (quase escanteios) de Romano que, por ironia do destino, não por pensamento premeditado, tem o nome ideal para a nossa história.

Então termina o primeiro tempo... Opa, ainda não! No apagar das luzes, enquanto eu, meus colegas jornalistas e muitos torcedores se preparavam para a segunda etapa, em um bate cabeça do goleiro Jandrei com o zagueiro do Nóia, Rafael Pilões ficou com a bola, só ele e a trave, para empurrar para o fundo do gol. No ultimo lance do jogo, como todo bom espetáculo dramático, saiu o gol do São Paulo.

Agora sim, começa o segundo tempo. Os times entraram com o mesmo ritmo do primeiro tempo, com chances para os dois lados. Então, aparece o herói da noite. O protagonista do espetáculo. O goleiro Deivity, fechou a meta rubro-verde contra todos os ataques da equipe de Novo Hamburgo, fazendo a torcida vibrar com cada defesa que ele realizava. Com grandes atuações dos zagueiros Fernando Pinto e Luis Henrique, o São Paulo passou mais um jogo sem sofrer gols, demonstrando o poder defensivo que o Leão possui.

Nada passou pelo goleiro Deivity, nessa noite de domingo (14). (Foto: Ilgner Vahl) 


Termina o jogo no Aldo Dapuzzo e o São Paulo venceu o Novo Hamburgo por 1 a 0. Com a vitória, o São Paulo subiu para a quarta colocação do Campeonato Gaúcho, com nove pontos, dos doze disputados até então. Bastou o juiz apitar o final do jogo que os jogadores rubro-verdes, em um exemplo de união total, foram até a torcida comemorar essa tão suada vitória. Valeu a velha máxima romana onde o publico aplaudia de pé, os leões que devoravam os seus adversários. E, assim por diante, é tudo o que os torcedores rubro-verdes querem ver, no Coliseu chamado Aldo Dapuzzo: Os adversários ajoelhados diante do Leão do Parque.



Ilgner Vahl
Graduando em Letras - Português 
FURG 








quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Com a cabeça no Gauchão: São Paulo faz 2 a 1 no Glória



Começo essa matéria falando sobre a escolha do título da mesma: Não. Eu não bati a cabeça. Eu só quero trazer para vocês essa reportagem, que tem tudo a ver com o título. Um verdadeiro, talvez, "papo cabeça".

Essa história começa na noite da ultima quarta feira, 3 de fevereiro, no estádio Aldo Dapuzzo. O São Paulo recebeu o Glória de Vacaria, em jogo válido pela segunda rodada do Campeonato Gaúcho. A torcida rubro verde compareceu em peso, para a estreia do Leão em casa, no Gauchão deste ano.


Mascote do Leão, antes do inicio da partida (Foto: Ilgner Vahl).


No primeiro tempo, o São Paulo pressionou o Glória, jogando todo o time de Vacaria para dentro do gol. Para dar uma ideia, o goleiro Simão, do Glória, começou a fazer "cera" desde a metade do primeiro tempo, para tentar segurar o empate que era o ideal, considerando o fato que o São Paulo foi muito superior. Então, as cabeças começaram a rolar. Nesse caso, no bom sentido. O atacante Rafael Pilões, do Leão, que já havia tentado marcar (de cabeça), abriu o placar para o São Paulo. Em um cruzamento preciso de Athos, o centroavante rubro verde acertou um belo cabeceio para o fundo da rede do goleiro Simão, levando ao delírio a torcida do Leão.

Athos preparando-se para cobrar a falta, que resultou no primeiro gol do Leão. (Foto: Ilgner Vahl)

Mas nossa história não acaba por aí. Seis minutos após o primeiro gol, em cobrança de lateral feita por Romano, a bola foi afastada pela defesa do Glória. Enquanto a bola viajava pelo alto, o volante Guto Dresch devolveu ela para dentro da área, de cabeça, encontrando Julio Abu que, do alto dos seus 1,70, acertou mais uma bela cabeçada, sem chances para o goleiro. Mais uma vez o Dapuzzo incendiou. Era o 2 a 0, do São Paulo.

Fim de primeiro tempo e, o ex-goleiro e agora técnico, Clemer já estava com dor de cabeça pelos gols sofridos na primeira etapa e, principalmente, por não conseguir adentrar a zaga do São Paulo, que estava bem montada e jogou de forma brilhante nessa noite. Fernando Pinto, Luis Henrique e o goleiro Deivity estavam em uma grande noite, trazendo segurança para a torcida.

Começa então o segundo tempo. Como esperado, o Leão do Parque entraria para tentar administrar o jogo, enquanto o Glória correria atrás de um possível empate. Aí entrou em cena um personagem que fez toda a torcida do São Paulo ficar com a cabeça quente. Seu nome? Lucas Guimarães Horn, o arbitro do jogo. Com uma arbitragem polêmica, o juiz conseguiu tirar a todos do sério. Principalmente, devido a um lance: O pênalti marcado a favor do Glória. Lucas Guimarães, interpretou que a bola bateu na mão do jogador do São Paulo e apontou a penalidade para a equipe de Vacaria. Sem ter nada a ver com a arbitragem, Jean Carlo, acertou uma belíssima cobrança, diminuindo o placar.

Arbitragem polêmica de Lucas Guimarães, foi motivo de reclamações dos rubro-verdes. (Foto: Ilgner Vahl)

No entanto, não foi apenas o pênalti polêmico que marcou a noite. O pênalti não marcado para o São Paulo, em jogada individual de Reinaldo, que foi derrubado claramente dentro da grande área e os seis minutos de acréscimos dados pelo arbitro, fez o técnico Hélio Vieira perder a cabeça e partir para cima do bandeira, reclamando fortemente destas situações.

Para a alegria do torcedor rubro verde, o juiz apitou o final do jogo e o São Paulo saiu com a vitória de 2 x 1, sobre o Glória. Um bom resultado para o Junior e o Bruno, no qual entrevistei antes do jogo, ainda de cabeça fria, perguntando qual era a expectativa deles para esse ano. Tive como resposta isto: "A expectativa é muito boa. Diretoria nova, vontade de trabalhar e gente séria. Esse ano o São Paulo vai classificar para as finais". No momento dessa entrevista, o vice presidente de futebol do São Paulo, Maninho Degani se encontrava ao nosso lado e se dizia muito emocionado por ouvir as palavras de apoio do seu torcedor.

Degani acompanha a entrada dos jogadores do São Paulo. (Foto: Ilgner Vahl)

Dentre todas as cabeças que citei aqui, sendo elas no sentido figurado ou no sentido físico mesmo, uma delas é aquela que todo o torcedor rubro verde e, principalmente, o clube da Linha do Parque quer este ano: A cabeça da tabela, do Gauchão!


Ilgner Lauriente Vahl 
Graduando em Letras - Português 
FURG 


O Rei da Trave: Entrevista exclusiva com Fernando Pinto, capitão do São Paulo

Nesta quarta feira, dia 3 de fevereiro, dia que o São Paulo estreia em casa, pela segunda rodada do Campeonato Gaúcho de 2016, tive o prazer de entrevistar o zagueiro Fernando Pinto. Fernando é velho conhecido da torcida rubro-verde, pois já disputou o Gauchão do ano passado, com o Leão. Ficou marcado, neste início de ano, por conquistar o título de "Rei da Trave", competição realizada pelo Globo Esporte RS, onde foi escolhido um jogador de cada time que disputa o Gauchão, tendo como objetivo acertar mais vezes a trave. Fernando mostrou que está com a pontaria calibrada e venceu a competição.

Fernando Pinto, campeão do "Na Trave".


Segue abaixo, a entrevista realizada hoje. O São Paulo, a pontaria e as dificuldades encontradas para quem joga futebol profissional, são alguns dos temas discutidos nessa conversação.

Pergunta: Quais são as suas expectativas, profissionais, para esse ano?


Resposta:"As expectativas sempre são as melhores. Buscar as vitórias e, por consequência, conquistar títulos são os principais objetivos. O jogador só é lembrado quando vence,quando conquista os objetivos e se destaca pelo clube que representa."

Pergunta: Como vimos na televisão, em uma competição de quem acerta mais bolas na trave, tu tens o pé bem calibrado. O Fernando Pinto, zagueiro, também é um jogador agressivo no ataque?

Resposta:"A pontaria está boa! Já começamos o ano com um título (Rei da Trave) e isso, acredito, é um bom sinal que o Gauchão vai ser bom para nós. Eu tenho bom posicionamento para atacar. Sempre que possível faço meus gols. Espero que hoje, lá no Dapuzzo, já comece podendo marcar."

Pergunta: Nos últimos dois anos, o São Paulo lutou para não voltar a série A-2 do campeonato gaúcho. Qual o principal trunfo para que isso não se repita esse ano?

Resposta:"Isso é verdade. Já faz dois anos que o São Paulo está nessa luta para não retornar a segunda divisão do Gauchão. Eu estive aqui ano passado e sei bem como foi. O clube estava com muita dificuldade, em todos os sentidos. Esse ano já começou diferente. O São Paulo se organizou e se estruturou. Nesta temporada, o clube está dando boas condições para os atletas. Montou-se um grupo forte, por isso aceitei o convite para retornar ao Leão do Parque!"

Pergunta: Agora, mudando um pouco de assunto. Qual é a maior dificuldade que um profissional do futebol encontra, jogando por clubes que não tem tanto poder aquisitivo quanto os gigantes brasileiros, europeus, etc? (É uma questão opcional).


Resposta:"Os clubes do interior tem muito pouco recurso, poucos patrocínios e a maioria só consegue condições de trabalhar no estadual. Isso é muito ruim para nós jogadores, pois o segundo semestre é uma dificuldade para, muitos de nós, conseguir emprego! Acho que os grande clubes, junto com suas federações e a CBF (órgão maior do futebol nacional), poderiam ajudar de forma mais ativa, para que esses clubes, com menos poder aquisitivo, possam disputar competições o ano inteiro. Também poderiam ajudar os jogadores para que estes tenham condições de trabalhar e possam ficar mais tempo nesses clubes!
"

Pergunta: Para finalizar, qual recado você deixa para a torcida do Leão?
 Resposta:"Torcida rubro verde, a mais apaixonada do Rio Grande do Sul, nós jogadores contamos com o seu apoio! Esse apoio é fundamental para nos ajudar a cada batalha. Para conseguirmos sair vitoriosos, tanto no Dapuzzo, como fora de casa, nesse Campeonato Gaúcho!"


Ilgner Vahl
Graduando em Letras - Português
FURG 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Alô, torcedor rubro-verde! Tá chegando a hora

Neste sábado, dia 30 de janeiro, o São Paulo começa a sua jornada no Gauchão 2016. E o primeiro desafio do Leão do Parque é o Juventude, em Caxias do Sul. É um desafio duro, porém já superado pelo São Paulo, em termos de estréia. No ano de 2014, o Leão venceu o mesmo Juventude, no Alfredo Jaconi, pelo placar de 2 x 1. O jogo era válido pela primeira rodada do campeonato gaúcho, daquele ano.

Um dos gols do São Paulo foi marcado por Guilherme, que permanece na equipe.

Aliás, nestes dois anos que o clube está na elite do futebol gaúcho, o São Paulo não sabe o que é perder em jogos iniciais. Além do Juventude, em 2014, o Leão derrotou o Avenida por 3 a 1, na ultima edição do Gauchão, também fora de casa. 

Matão abriu o placar para o São Paulo, contra o Avenida, em 2015.

No final de 2015, visando a preparação para o Gauchão desse ano, o São Paulo trocou a sua diretoria, elegendo Vitor Magalhães como presidente. Dentre as primeiras providências da nova direção, uma delas foi adiantar o período de treinamento, para que fosse possível começar a pré-temporada mais cedo, evitando os problemas ocorridos nos anos anteriores. 

Apesar de contar com uma folha de pagamento inferior a dos outros clubes que disputam o campeonato, o São Paulo conta com nomes de peso no seu elenco. É o caso do meia Athos, ex-Juventude, que, dentre todas as suas qualidades, é um especialista em bolas paradas. Em um dos vários amistosos preparatórios que o São Paulo realizou neste ano, Athos marcou um gol olímpico, confirmando a sua fama. 

Athos treinando pelo São Paulo.

O jogo tem inicio marcado para as 18 horas, de amanhã. O valor dos ingressos varia entre 50 reais, inteira, e 25 reais, meia entrada. Em caso de compra da meia entrada para estudantes, um comprovante deve ser apresentado na hora de adentrar no estádio.





Ilgner Lauriente Vahl
Graduando em Letras - Português
FURG




terça-feira, 8 de setembro de 2015

TEMPO DE MUDANÇA: O patamar do Leão do Parque

Nesse momento delicado de troca na direção, a RDI Interior Mais Forte volta trazendo à tona a real situação do Leão do Parque, presenteando o torcedor rubro-verde com a verdade na íntegra.

Aldo Dapuzzo lotado no último jogo do São Paulo no Gauchão 2015.

Os dois últimos anos do Sport Club São Paulo foram de campanhas precárias no Campeonato Estadual da primeira divisão. Desde o acesso, em 2013, a palavra rebaixamento faz parte do cotidiano do torcedor rubro-verde, assombrando o Aldo Dapuzzo como nunca em seu glorioso passado. Nesse ano a situação piorou. Alguns jogadores que retornaram da temporada anterior declararam terem sido iludidos com uma proposta de melhor estrutura, sendo completamente ao contrário e refletindo no desempenho dentro de campo. Focando em 2015, vamos aos fatos:

O começo de tudo

A então atual gestão do São Paulo se instalou na Linha do Parque em 21 de Novembro de 2013, quando tomou posse o ex-presidente Domingos Escovar. A situação era nada menos que catastrófica, falimentar: oficiais de justiça penhorando as rendas; verba anual da FGF totalmente comprometida; dívidas das gestão anterior (que teve suas contas rejeitadas até o então momento); Clube sem contabilidade; contratos com concessionária por muitos anos; e, inclusive, a possibilidade de leilão do estádio Aldo Dapuzzo que se encontrava com o alvará vencido. Dentre tantos fatos, o Rubro-Verde se manteve na elite do Futebol Gaúcho, trocando de treinador há três rodadas do fim e vencendo a equipe principal do Grêmio dentro de casa.

Apesar das dificuldades, jogadores mantiveram a união.
No segundo semestre de 2014, o Leão disputou uma competição de menor expressão e teve como melhor resultado a revelação do jogador Dudu Mandai. A partir deste ponto, o caos interno refletiu completamente no gramado do Aldo Dapuzzo. Uma grande demora na composição do plantel para a disputa do Gauchão 2015 resultou em uma péssima campanha, escapando do rebaixamento na última rodada, dependendo de resultados paralelos e sem uma vitória em casa, sequer. Por trás do que se via em campo, havia uma única certeza: muita coisa, estava errada no interior do Sampa. Em entrevista à Interior Mais Forte, os atletas Balduíno, Teko e o goleiro Vilar foram coerentes nas críticas à presidência que havia prometido uma melhor estrutura, quando na verdade foi o contrário. Mesmo assim, os jogadores ainda ressaltaram as possibilidades do clube em buscar objetivos além da luta contra o rebaixamento, a partir de um planejamento concreto.

A atual situação

Após a renúncia do ex-presidente Domingos Escovar, quem teve a coragem de assumir o clube foi o então vice-presidente social, Vítor Magalhães. Com 30 anos de idade e um vasto conhecimento em administração e marketing, o agora presidente do Leão formou um grupo de trabalho que busca levantar a situação do São Paulo, sem o objetivo de concorrer à próxima eleição – que normalmente deverá ocorrer entre os meses de outubro e novembro. Vítor atendeu à Interior Mais Forte e nos deu uma entrevista completa, tocando nos principais pontos da gestão do clube.

Uma das maiores virtudes do novo presidente é a sinceridade. Coerente, Vítor diz que é preciso “tocar na ferida, reconhecendo erros do passado sem passá-los adiante”. Além da transparência nas palavras, o mesmo demonstra amor ao clube e continua: “Precisamos pensar no próprio clube para que os próximos presidentes encontrem algo diferente do que os anteriores se depararam”. Como o futuro se faz hoje, o presidente finaliza este ponto com sanidade: “Sabemos que o Leão é grande candidato ao rebaixamento em 2016. Por isso, é preciso pôr os pés no chão e sonhar alto, sim, mas sem fugir da realidade. Impossível é montar um planejamento com base em ilusão. O material de trabalho são fatos e dados”.

A transição

Vítor Magalhães (à direita) e seu grupo de trabalho.
Foto: (Divulgação/Jornal Agora)
A partir da realidade do clube, o olhar é para frente. As dificuldades são diversas, mas que devem ser enfrentadas sem medo, se depender do pensamento da atual gestão. Por mais que nada além da realidade seja usado como projeção, novos ares precisam ser explorados e é nisso que aposta o novo presidente: “Hoje o São Paulo carece de diversos pontos importantes para a estruturação de um grande clube, tal como a falta de um departamento de marketing. O atual pensamento é somente em captação financeira, esquecendo a mercantilização da marca”. O Leão do Parque já apostou em um setor exclusivo de propaganda, em 2014, mas na época a diretoria concluiu que não havia condições de manter o projeto. “É preciso mudar a realidade do São Paulo em relação ao marketing. Quebrar a cultura desse paradigma que as pessoas têm de vincular o marketing à captação financeira”. Inteligente, Vítor ainda cita um ícone do marketing como fonte de um princípio fundamental: “Como dizia Phillip Kotler, devemos estabelecer os 4 ‘p’ do marketing: produto, praça, preço e promoção”. E finaliza: “É preciso que eles trabalhem juntos, se tratando do marketing como um todo”.

Daqui pra frente

Por mais que as ideias sejam do presente, a palavra final é toda do próximo presidente. Dentro desse contexto, as ideias são apresentadas apenas como potência, se aproximando do ato, ao máximo, por negociações em andamento. Três grandes empresas de marketing já foram contatadas pela diretoria do São Paulo, tendo uma delas como a mais avançada: “Estabelecemos três pilares fundamentais: o primeiro é restaurar a imagem do S.C. São Paulo (hoje o Leão tem a imagem de mal pagador, não possui credibilidade, as pessoas não confiam no clube ao ponto de não liberarem patrocínio pela falta de transparência. A clareza não pode ser momentânea, é um trabalho contínuo de médio a longo prazo); o segundo é a comercialização da publicidade para a captação financeira, sem ceder exclusividade, abrindo portas para tratar com diversas agencias devido a situação financeira delicada; e o terceiro foi a iniciativa de um programa sócio torcedor que já foi enviada ao conselho deliberativo, aprovada internamente e só aguarda a aprovação do próximo presidente, fazendo uma alusão a outros grandes clubes e, preferencialmente, sendo lançada após a estruturação do departamento de marketing, impulsionando a propaganda do projeto”.

Focando no torcedor, o ‘terceiro pilar’ foi explicado pelo presidente: “Seu grande objetivo é uma mensalidade mais barata, mantendo o torcedor não só fiel, mas leal ao ano inteiro, criando uma cultura nova de vendas de lote de ingresso nos jogos do São Paulo – por exemplo, o sócio paga uma mensalidade mais baixa, mas paga a metade do ingresso nos jogos, tendo o direito de compra preferencial no 1º lote, liberando para o público em geral a partir do segundo”. Além disso, cerca de 30 convênios estão para ser firmados com estabelecimentos comerciais de Rio Grande e Pelotas que o sócio torcedor poderá usufruir, aproximando o mesmo do clube. Fora isso, um portal de transparência e um novo site do clube com mais funcionalidades está sendo planejado. Tudo depende da aprovação do novo presidente.


Torcedor Rubro-Verde apoiou o clube em todos os momentos.

Recado ao torcedor

A Interior Mais Forte não esquece de você, torcedor! Nas entrevistas gravadas com os jogadores citados no primeiro item, ao término do Gauchão 2015, foi reservado um tempo exclusivo para que os mesmos pudessem falar com o adepto apaixonado do Leão do Parque. Alguns meses depois, trazemos à tona a situação dramática do clube, mas não esquecemos aqueles que representaram as cores do clube dentro do campo. Aqui eles têm voz.

Volante Balduíno: – Graças a Deus deu tudo certo no final. No início, as coisas por aqui foram muito difíceis, mas a gente pôde superar a dificuldade e demos a volta por cima, alegrando o torcedor com a permanência na primeira divisão. Temos que agradecer a todos pelo empenho e dedicação, a diretoria, o presidente que nos deu aquilo que tinha condições e só tenho a agradecer a Deus por mais um ano que pude jogar no São Paulo. Por mais que sempre devemos pensar num objetivo maior – a classificação – dessa vez não foi possível, mas pelo menos conseguimos deixar o time onde pegamos. Até me colocaram um apelido de Baldumito e fico muito feliz por esse reconhecimento. Joguei 14 das 15 partidas, só fiquei fora de uma – por suspensão – e o torcedor sempre me abraçou. Só devo agradecer por terem me apoiado em mais essa guerra.

Zagueiro Teko:O balanço no geral foi positivo, pois conseguimos deixar o clube na primeira divisão. Espero que agora a diretoria se reúna e não cometa os mesmos erros desse ano. Claro que deixamos a desejar em algumas partidas, principalmente dentro de casa, mas acho que merecíamos uma sorte melhor por termos feito bons jogos. Aconteceu dessa forma, mas nunca nos abalamos. Foi um grupo de guerreiros do qual tenho orgulho de ter feito parte. Agradeço à família São Paulo, me sinto aliviado e muito agradecido à torcida que desde o início esteve do meu lado, assim como da equipe toda. Foi um campeonato difícil, de muita luta, mas em nenhum momento eles deixaram de nos apoiar. Então fiquei muito feliz. Espero voltar num futuro próximo. Já passei por equipes melhores e digo que o São Paulo tem muito a melhorar, embora seja difícil fazer futebol sem dinheiro. Aqui tem as dificuldades como em qualquer clube do interior e isso gera muitos obstáculos. Então sou muito grato e estarei sempre na torcida por esse clube. – aqui foi perguntado sobre os últimos jogos, após sair machucado no jogo contra o Caxias – No final foi na superação, levei uma pancada no joelho no jogo contra o Caxias, mas não foi nada grave, embora tenha inchado. O ano foi todo de superação, esse era o nosso lema no vestiário. Não quis dar uma de herói, nunca tive essa pretensão, mas creio que o São Paulo merecia esse sacrifício de mim.

Goleiro Vilar: – Só tenho a agradecer ao torcedor que me incentivou e em nenhum momento abandonou o clube, aparecendo em todos os jogos. Deixo aqui meu muito obrigado e a satisfação de ter cumprido o dever de manter o São Paulo na primeira divisão. Creio que com um projeto melhor estruturado, as coisas vão melhorar para o ano que vem. Agradeço também a Deus pela oportunidade, pelo Clube ter aberto as portas pra mim que joguei pela primeira vez o Campeonato Gaúcho e creio respondi bem, mantendo uma regularidade durante a competição. Deixo aqui meu muito obrigado ao torcedor e a cidade que me acolheu da melhor forma. Fico na torcida para que as coisas melhorem para o ano que vem!


Você acompanha a entrevista com Vítor Magalhães, na íntegra, no programa Show de Bola (99,5 FM) com Linno Vianna e Victor Vieira. É domingo, às 14hrs.

A RDI Interior Mais Forte agradece o apoio do colega Fabrício Marques (Rio Grande Esporte Mais) pelo empréstimo do equipamento para gravação das entrevistas com os jogadores, assim como a atenciosidade dos jogadores Balduíno, Teko e Vilar, e do presidente do Sport Club São Paulo, Vítor Magalhães!

Lucas dos Santos Martins
Graduando em Jornalismo
Universidade Federal de Pelotas

domingo, 5 de abril de 2015

O São Paulo é grande: Leão do Parque permanece na elite do Gauchão

Na tarde deste domingo de Páscoa, 05, o Sport Club São Paulo empatou em 1x1 com a equipe do Lajeadense no estádio Aldo Dapuzzo e garantiu sua permanência na elite do Futebol Gaúcho em 2016, favorecido pela derrota do Caxias  principal concorrente contra o rebaixamento concretizado.


Foto: João Pedro/Assessoria S.C. São Paulo

A tarde nebulosa em Rio Grande refletia exatamente o patamar da partida válida pela 15ª e última rodada da primeira fase do Gaúchão 2015: a qualquer momento, um gol "aqui ou lá" poderia mudar toda a história dessa decisão. De um lado estava o São Paulo, vindo de derrota contra o Grêmio fora de casa, mas dependendo apenas de si mesmo para se manter na primeira divisão. Do outro, um Lajeadense já classificado e buscando melhor colocação na tabela.

O público que chegava ao estádio mostrava confiança na permanência do Rubro Verde: – A expectativa é a melhor possível. O São Paulo ainda não venceu em casa, mas hoje vamos lotar o estádio e torcer para a equipe fazer uma boa atuação – declarou Thiago Pepe, torcedor local.

Logo antes da partida, a primeira surpresa: Luís Müller, então goleiro titular da equipe visitante, não ocupava a meta alviazul. Em seu lugar estava Giovani, de 26 anos. Pelo lado do São Paulo, o time entrava completo e o zagueiro Teco portava a faixa de capitão. Em Caxias do Sul, a equipe grená não contava com o goleiro Renan e com o meia Clayton, este, suspenso. Vanderlei, dúvida anteriormente a partida, foi escalado no ataque e Paulinho preencheu o meio campo.

Às 16hrs, Anderson Daronco autorizou o início da partida em Rio Grande e, simultaneamente, Leandro Vuaden faz o mesmo em Novo Hamburgo: estava dada a largada para a última etapa da corrida contra o rebaixamento.

William Massari comemora com a torcida.
Já no início de jogo, o São Paulo mostrou agressividade nos ataques. Antes dos 10 minutos do primeiro tempo, Guilherme cruzou e Matão dominou no peito, finalizando de bicicleta. No lance seguinte, o mesmo conduziu a bola com a cabeça em três tempos, animando a torcida pela segunda vez no Aldo Dapuzzo. Os dois lances do criticado atacante rubro verde mostravam que algo estava fora dos parâmetros em Rio Grande.

O desfecho estava por vir: aos 12 minutos, em levantamento de bola parada, a equipe da Linha do Parque conseguiu escanteio após lance inseguro do goleiro Giovani. Na cobrança, Massari protagonizou um dos lances mais bonitos do Gauchão 2015: cobrou fechado e, com a ajuda do vento, abriu o placar para o São Paulo em um gol olímpico.

Ele de novo, o tão contestado... Foi de placa! São Paulo 1x0 pra cima do Lajeadense.

A partir deste momento, até o final da primeira etapa, a equipe alviazul cresceu na partida e teve um gol anulado nos acréscimos. Com o fim do período em Rio Grande, a permanência do São Paulo era sustentada pelo empate de um inofensivo Caxias, como o técnico Hélio dos Anjos demonstrava com preocupação na saída para os vestiários.

Restando apenas o tempo complementar, o São Paulo voltava para o segundo tempo com uma proposta conservadora, porém aberta a mudanças, evidenciada pelo retorno da mesma equipe para a segunda etapa. Diferentemente, o Caxias voltava ao gramado do Estádio do Vale com duas alterações.

Apesar da raça, Caxias não conseguiu superar o Noia.
(Foto: Porthus Junior/Agência RBS)
Em Rio Grande, o Lajeadense começava em cima: falta perigosa para a equipe alviazul e a torcida do São Paulo comemorava, por um momento, sem motivos aos olhos de quem via. Era o chute de Leandrão que passava pelo goleiro do Caxias e parava apenas no fundo das redes da equipe grená. 4 minutos depois, o estrago ficou ainda maior: o bom lateral Rafael Carioca falhou um domínio e obrigou o goleiro Thiago Rodrigues a cometer pênalti, sendo expulso de campo. O alívio veio com a defesa de Pablo, evitando a ampliação do placar.

Como se não bastasse, o Lajeadense foi atrás do empate no Aldo Dapuzzo: em cobrança de falta, Rafael Gava contou com desvio e deixou tudo igual no placar, o que intensificou as emoções na Linha do Parque. Enquanto jogadores se mostravam preocupados buscando informações fora de campo, torcedores não tiravam o ouvido de seus rádios, ligados na partida do concorrente pela permanência na Série A.

Precisando garantir o resultado, Hélio Vieira pôs em campo o atacante Chumbinho, no lugar do volante Jean Coral, adiantando a equipe do São Paulo. Recuado, Dudu Mandai era melhor municiado e protagonizava lances de efeito contra a defesa do Lajeadense. Junto dele, Luanderson assumia a qualidade do meio campo e Thiago Corrêa continuava apagado. Com a saída de Balduíno, Muçamba assumiu o papel de conter o setor de criação da equipe alviazul, obtendo êxito no que lhe foi proposto. Tinga entrou no lugar de Dudu Mandai e o Leão sofreu queda no rendimento ofensivo.

Com o São Paulo sem sucesso na tentativa da vitória, quem marcava era o Caxias: Rafael Carioca, em remissão ao erro cometido, serve Vanderlei que não perdoa e empata o jogo em Novo Hamburgo. Como a equipe do Vale dos Sinos necessitava da vitória para obter a classificação, as duas partidas ficaram completamente abertas e a incerteza tomava conta dos dois ambientes, sendo assim até o final da partida em Rio Grande, após leve garoa, concentrando as atenções de jogadores e torcida presentes no Aldo Dapuzzo, apenas nos aparelhos sonoros.

Para o alívio dos rubro verdes e com o perdão do trocadilho, o Novo Hamburgo não gosta de "chove não molha": após sobra na marca do pênalti, Magrão arrematou, classificou sua equipe e fechou a cova do Caxias: 2x1. Nesse momento, o êxtase tomava conta do Aldo Dapuzzo, em Rio Grande. O ping pong tinha um final feliz para os riograndinos e desastroso aos torcedores grenás, que nunca haviam sentido o gosto do rebaixamento desde 1975, quando passou a ser chamado de SER Caxias.

Apesar de ser uma lástima para o futebol Gaúcho, as esperanças são positivas para a equipe de Caxias do Sul. Na Linha do Parque, torcedores erguiam o técnico Hélio Vieira e pediam sua permanência para a próxima temporada. Com os resultados, o São Paulo encerrou sua participação na competição em 13º lugar e escapou do rebaixamento por apenas uma posição. Para 2016, o futuro da equipe ainda é incerto.

Imagens da Partida:



Lucas dos Santos Martins
Graduando de Jornalismo
Universidade Federal de Pelotas